O enorme navio que submerge para carregar plataformas de petróleo

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O Dockwise Vanguard carregando o Noble Paul Romano, em Malta.

Fonte: Wired

Traduzido por: Pedro Gabriel

Após o ataque ao U.S.S. Cole, no Yemen em outubro de 2000, a Marinha Americana precisava levar o navio danificado até Pascagoula, no Mississippi, para reparos. Mas não se pode rebocar um navio com um buraco de 40 pés na sua lateral através dos oceanos Índico e Atlântico e esperar que ele flutue. Então, eles contrataram a Dockwise, empresa holandesa especializada em transportar cargas enormes.

A Dockwise enviou o MV Blue Marlin, que se aproximou do Cole e utilizou seus enormes tanques de lastro para se submergir parcialmente. Posicionou-se debaixo do destroyer antes de emergir e levantar o navio inteiro acima do nível da água, e o carregou como qualquer outra carga. O Cole, de 505 pés, coube facilmente no deck do Blue Mississippi, de 584’ x 206’, que foi transportado com sucesso do Yemen até o Mississippi e retornou a servir a Marinha poucos anos depois.

Impressionante ao Blue Marlin, ele se empalidece em comparação ao seu irmão, mais novo e maior, o Vanguard. Construído em 2012, o maior navio float-on/float-off do mundo não tem uma popa ou proa convencionais. Todo seu revestimento flutuante, que impede o navio de tombar, incluindo várias que são móveis para acomodar diferentes tipos de cargas, são montadas no lado do navio.

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O MV Blue Marlin carregando o U.S.S. Cole do Yemen até o Mississippi.

Desse modo, desobstruído, o deck de 230 pés de largura percorre todos os 900 pés do navio. Isso permite que a Dockwise possa movimentar cargas que excedem esse comprimento impressionante tendo itens enormes, como navios, ultrapassando os limites de popa ou proa. Esta “coisa” poderia carregar o Prédio Chrysler.

Formada em 1993 pela fusão de duas empresas de transportes marítimos, a Dockwise é a maior operadora de navios semi-submerssíveis para o transporte de cargas-pesadas do mundo. Ela é usada extensivamente pelas marinhas do mundo, assim como companhias de exploração buscando instalar e reimplantar suas plataformas de perfuração para desenvolvimento de campos de óleo e gás offshore.

O Vanguard é semi-submerssível graças aos seus enormes tanques de água que se enchem lentamente para submergir o navio pouco mais de 50 pés. Assim, ele pode se posicionar debaixo dos gigantes dos oceanos, como as plataformas de petróleo, erguê-las, e transportá-las através dos oceanos em velocidades até 14 nós (16,1 mph), graças ao seu sistema de propulsão de 27 megawatts.

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O Dockwise Vanguard carregando a plataforma de perfuração Jack & St. Malo, da Chevron, da Coreia do Sul até o Golfo do México.

Ao chegar, o navio da Dockwise submerge e se move lateralmente. A companhia diz que a habilidade do Vanguard para transportar plataformas gigantes completamente montadas, pesando até 111.000 toneladas por metro, pode economizar tempo e dinheiro das contratantes. Seu segundo maior navio, o Blue Marlin, citado anteriormente, pode levantar estruturas com “apenas” 76.000 toneladas por metro e é limitado por ser design mais tradicional, com popa e proa.

Com um bônus, o Vanguard pode ser utilizado como um drydock (dique seco), levantando estruturas enormes para manutenção e inspeção no mar, ao invés de gastar tempo e dinheiro fazendo as inspeções e vistorias em terra.

O Vanguard foi até escolhido para remover o cruzeiro Costa Concordia, que virou na costa da Itália, mas a negociação não se concretizou.

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