Quanto vale falar inglês?

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Fonte: Yoshio Kawakami | Indústria Hoje

Você fala inglês fluentemente? Ou melhor, você não fala inglês fluentemente, ainda? É uma pergunta que tenho feito aos jovens estudantes em palestras e bate-papos. A pergunta parece ser incômoda para muita gente. Para muito mais gente do que seria desejável, pelo que percebo. E quando comento que aqueles que não dominam o inglês não teriam chance de emprego nas principais empresas multinacionais, alguns jovens parecem surpresos e inconformados.

Na verdade, não é só o inglês. Hoje saber espanhol é igualmente importante se a empresa atua na América Latina (e não são poucas empresas, certo?).

O que tenho comentado é que pela natureza do negócio que administro, não é mais viável a contratação de jovens para aprenderem o inglês. Este processo, segundo os especialistas, levaria no mínimo de 700 horas a 1.000 horas de estudo. Considerando-se que os dias úteis num ano são 220 dias, com toda dedicação de 2 horas em média por dia, o que é uma rotina bastante pesada, certamente seriam necessários pelo menos 2 anos.

Ainda assim, para muitos, seria bastante desconfortável manter um diálogo profissional num novo idioma. Creio que seriam necessários outras atividades, como algum tempo num país onde o inglês seja o primeiro idioma, leituras e coisas mais.

Ou seja, é um investimento sério de tempo dedicado, além do próprio custo.

Não há dúvidas de que há hoje muito mais jovens capacitados em inglês do que no passado. Tudo se tornou mais acessível para os jovens com situação econômica mais favorecida. Mas acredito que estes jovens também são mais favorecidos culturalmente por viverem num meio que valoriza, incentiva e suporta financeiramente estas atividades.

Jovens com estas condições não necessitam seguir lendo este texto, a menos que queiram compreender a situação de forma mais ampla.

Mas visitando diversas universidades e conversando com os jovens, percebe-se que ainda não é realidade uma difusão da importância do idioma além da sua língua nativa. Explico nas palestras que o conhecimento adquirido no curso superior é um commodity, é um conhecimento básico que não diferencia o profissional recém-formado.

No entanto a falta de habilidade com o inglês, por exemplo, é uma diferenciação negativa muito forte. Pois para as empresas multinacionais, a solução não é mais treinar os jovens em idiomas, mas sim buscar aqueles que já possuem esta qualificação.

Lembro-me de um processo de seleção de um Trainee, que teria um programa internacional de desenvolvimento durante cerca de 2 anos. Foi solicitado que uma empresa de recrutamento selecionasse jovens recém-formados em todo país, verificando que tivessem um bom domínio do inglês.

De quase 2.000 candidatos, recebemos um grupo de finalistas de 24 jovens, já instruídos para prepararem um case hipotético para o negócio da empresa. Ao apresentarem-se todos para as Dinâmicas de Grupo e entrevistas, surpreendemos o grupo, pedindo-lhes   que apresentassem o trabalho em inglês (todos haviam elaborado o trabalho em Português).

Do total de 24 jovens selecionados, apenas cerca 20% deles estariam verdadeiramente aptos com o inglês. As habilidades testadas foram a desenvoltura para falar em público,  a habilidade de falar em inglês e a capacidade de comunicação de forma coerente e lógica.

Deste grupo, foram selecionados apenas 2 jovens e não teríamos preenchido as vagas com convicção se necessitássemos de 5 jovens.

O comentário tem como objetivo auxiliar os jovens a tomarem consciência de que vale a pena saber inglês de verdade. Não apenas para ser um dos poucos privilegiados como no passado, mas para ser parte de um mercado de trabalho globalizado.

Também o fato de poder ler, ouvir e compreender os fatos do mundo pode ser muito importante para o desenvolvimento da sua carreira.

A limitação de apenas saber o português é enorme, pois se considerarmos que grande parte das informações disponibilizadas no mundo em inglês nunca é traduzida para o português, pode-se ter ideia da perda.

Não é possível obter informações necessárias da América Latina para os negócios sem saber espanhol e não é possível obter informações dos EUA sem o inglês. Claro que o mesmo vale para cada país com idioma diferente.

Saber inglês ainda é a forma mais econômica de obter este tipo de informação no nosso planeta. Acumule o conhecimento obtido por uma pessoa ao longo de uns 10 ou 20 anos, considerando os benefícios para a formação de uma visão globalizada e a capacidade de compreender diferentes culturas e povos. Fará uma diferença enorme, impossível de ser recuperada.

Pense na abertura de uma nova porta para um mundo que não tem mais tempo para traduções e que gera um volume enorme de conhecimento e de informação que podem ser muito úteis para a sua profissão e para a sua carreira.

Mas sendo mais prático, quanto você imagina que seria a diferença de salário numa empresa multinacional, entre a posição mais elevada sem a necessidade de inglês e a primeira posição em que saber inglês fluentemente (de verdade) é requerida? Pelo menos de 3 a 5 vezes mais!

Você ainda acha que não vale a pena investir?

Grato,

YK.


 

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Um comentário em “Quanto vale falar inglês?

  • 10/12/2014 em 10:20
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    Toda as vezes que encontro um jovem que me pergunta o que fazer depois do curso sonhado indico estudar inglês, estudar para ser um profissional capacitado em sua área de atuação.

    Resposta

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