Hidratos de Gás: problema crítico ou potencial reserva energética?

Gas Hydrate


Por: Natan Battisti

Os Hidratos de Gás, ou Clatratos (gaiola, em latim), é um composto cristalino em que moléculas de água formadas por interações de hidrogênio encapsulam gases do tipo metano (CH4) e dióxido de carbono (CO2) ficando, assim, “engaiolados” dentre as moléculas de água.

Hoje, no mundo, os Hidratos de Gás são tratados com uma gigantesca reserva energética encontrada no subsolo marinho ou, comumentemente, como um sério problema quando na produção de petróleo. Incrustam-se em determinadas “PVTs” (pressão, volume e temperatura) em risers mergulhados em águas cada vez mais profundas, interrompendo a produção de petróleo, o que gera perda de produção custando caro às companhias operadoras a desobstrução dos mesmos.

No caso de empresas que trabalham em ambientes offshore, a incrustação de hidratos tem sido, há tempos, um dos casos de interrupção da produção com mais estudos juntos dos NSO. Porém, o que começa a avançar nos últimos anos são estudos acerca da explotação dos hidratos de gás que estão retidos no subsolo marinho.

Isto pois, para título de comparação, hoje, os Hidratos de Gás se apresentam no mundo como uma reserva energética “democrática” visto que está melhor distribuída pelo globo em relação a outras matrizes energéticas, como carvão, gás natural e petróleo. Além disso, outro fato consumado é que, atualmente, os clatratos se apresentam como as maiores reservas de carbono do planeta, sendo maior que a soma de todas as outras fontes de carbono.

Methane Hydrates

Para tanto, um projeto piloto está sendo desenvolvido pelos EUA e pelo Japão, países cujas reservas de HG são significativas, e vem procurando aplicar métodos de recuperação secundária e terciária comuns em reservatórios siliclásticos e carbonáticos de petróleo (convencionais) na explotação dos Hidratos. Todavia, apesar de centros de pesquisa renomados no mundo, como o de Heriot Watt Edinburgh, já produzirem em larga escala teorias para explotação do clatrato, os mesmos ainda pouco são aplicáveis a explotação, ou seja, fazer da produção deste gás retirado do gelo economicamente viável em larga escala.

No Brasil, apesar de poucos centros de pesquisa estarem trabalhando com métodos de recuperação do gás do clatrato (há vários estudos quanto aos problemas de entupimento de dutos), o Brasil figura com uma das maiores reservas de Hidratos de Gás do mundo. Segundo Clennel, 2000, a Bacia Pelotas, ao sul da Bacia de Santos, no Rio Grande do Sul, portaria até 22 milhões de m³ de Hidratos de Gás e se apresentaria como uma das maiores Bacias portadoras desta matriz energética do mundo.

Na Bacia Pelotas, os mesmos se encontram próximos ao talude, a cerca de 200 metros de profundidade, e há comprovações de migração deste gás através de falhas no solo oceânico, causando assim, sua liberação para atmosférica agravando ainda mais problemas ambientais. Este local, próximos do Cone do Rio Grande, ao sul da Bacia, está perto dos blocos ofertados na 13° Rodada da ANP, que ocorrerá agora em outubro.

Avaliando isto, grandes potências energéticas no muno, como EUA, Rússia, Reino Unido e etc, vem buscando, cautelosamente, investir mais em métodos de produção dos Hidratos de Gás. Em seus relatórios, os mesmos levam em consideração a potencialidade da utilização desta matriz, mas também os possíveis danos ambientais que ela pode causar se liberada no solo marinho através de falhas e de variação hidrostática. Contudo, uma coisa se torna certa, a exploração dos Hidratos de Gás se aproxima.

Segundo Kvenvolden (1993), 1 m³ de hidratos saturado pode liberar, com a fusão do gelo, cerca de 163 m³ de metano. Apesar da ausência de ligações químicas entre cápsula (água) e encapsulado (gás), estes compostos apresentam uma estrutura estável, sendo que o clatrato permanece no estado sólido mesmo a temperaturas maiores que 0°C, desde que haja presença de gás e uma pressão consideravelmente alta, conforme Clennell (2000). Estas condições são encontradas em grande escala nas margens continentais a profundidades menores que 1000 m, porém são precisas outras ocorrências para a formação do metano, que será aprisionado pela água. Uma delas é a ausência de espécies redutoras como sulfato e outra é possuir um teor de carbono orgânico total (COT) entre 0,5% e 1,0%. Por tal motivo, não se visualiza a presença de hidratos de gás em oceanos abertos, pois não possuem como características teores de COT iguais aos necessários, além das crostas continentais. Além do mais, é de enorme importância a presença de uma alta taxa de sedimentação, para que ocorra o soterramento e, por conseguinte, a preservação da matéria orgânica, segundo Clennell (2000).

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